Em um país sem avanço, queda na economia Favaro ainda defende o governo e rebate CNA
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, fez uma contundente defesa do governo federal nesta semana, ao rebater uma nota crítica emitida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), referente à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em pronunciamento divulgado em vídeo nas redes sociais, Fávaro classificou a nota da entidade como “estéril” e “desconectada dos avanços reais do país”.
A CNA havia afirmado que o Brasil, em vez de consolidar sua posição como fornecedor estratégico global, retornaria às manchetes internacionais “não por suas oportunidades, mas por suas crises políticas internacionais”. Em resposta, Fávaro contra-argumentou com uma série de indicadores econômicos positivos do atual governo, além de dados sobre o desempenho do agronegócio brasileiro.
“Enquanto o Brasil real tenta recuperar sua economia, atrair investimentos, abrir mercados e gerar empregos, a política nacional insiste em girar em torno de uma pauta paralisante, marcada por radicalismos ideológicos”, ironizou o ministro, citando trechos da própria nota da CNA.
Fávaro destacou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,2% em 2023 e deve encerrar 2024 com alta de 3,4%, tendo projeções otimistas para 2025. Mencionou também a redução da taxa de desemprego, que recuperou para 6,2%, bem como o crescimento da renda dos trabalhadores em mais de 11% no período.
Na balança comercial, o ministro ressaltou que o Brasil alcançou recordes consecutivos: superávit de US$ 98,9 bilhões em 2023 e de US$ 74,6 bilhões em 2024 — números históricos desde o início da série, em 1989.
Fávaro reforçou os esforços do governo Lula na abertura de 393 novos mercados para produtos agropecuários brasileiros em diversas regiões do mundo — como Ásia, Oriente Médio e Europa —, citando como exemplo o aumento recorde das exportações de carne bovina para os EUA: 220 mil toneladas em 2024 e 190 mil toneladas apenas no primeiro semestre de 2025.
“Graças à boa diplomacia, aos fóruns internacionais e às relações de amizade, estamos expandindo nossas exportações, inclusive para os Estados Unidos”, afirmou.
O ministro também destacou avanços em áreas como a energia limpa — com o aumento da adição de biodiesel ao diesel e da mistura de etanol —, e na sanidade animal, com o reconhecimento internacional do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, além de controle eficiente da gripe aviária.
"Não concordo com os termos usados pela CNA. Os números estão aí. O Brasil está olhando para frente, fortalecendo a economia, gerando empregos e oportunidades", disse.
“Você, cidadão, já pode refletir e decidir: quem, de fato, está do lado do Brasil?”, concluiu o ministro.
Veja nota da CNA
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifesta sua preocupação com o cenário atual em que, enquanto o Brasil real tenta recuperar sua economia, atrair investimentos, abrir mercados e gerar empregos, a política nacional insiste em girar em torno de uma pauta estéril, paralisante, marcada por radicalismos ideológicos e antinacionais.
A presença dessa agenda como prioridade, inclusive nas relações internacionais, ficou ainda mais evidente com a carta do presidente Donald Trump, um gesto simbólico, mas que reverberou nas instituições brasileiras e criou novo ruído na imagem do país no exterior. O Brasil, que deveria estar consolidando sua posição como fornecedor estratégico de alimentos, energia limpa e minerais críticos, volta às mercados internacionais não por suas oportunidades, mas por suas "crises políticas pessoais" internas.
A verdade é que o Brasil tem sido governado, direta ou indiretamente, por uma obsessão com o passado. O Congresso Nacional, pressionado por suas bases políticas, perde tempo em disputas e manobras que têm um pouco a ver com os interesses econômicos do país. O Judiciário, por sua vez, também tem estado envolvido em um protagonismo institucional que, embora muitas vezes necessário, alimenta uma instabilidade constante.
E o governo atual também é muito preocupante. Em vez de assumir a liderança de uma agenda pragmática e pacificadora, optou por reabrir políticas feridas, reforçando antagonismos e muitas vezes tratando adversários como inimigos. Essa escolha tem custo. A confiança empresarial, a previsibilidade regulatória e a estabilidade institucional, pilares de qualquer economia saudável, são minados quando o próprio governo entra no jogo da revanche.
O setor econômico auxilia em tudo com preocupação. O Brasil precisa de foco.
Precisamos de reformas estruturais que destravem o crescimento, de segurança jurídica, de um ambiente político que permita pensar no médio e longo prazo. Nenhum investidor aposta num país preso em disputas do passado.
É preciso que alguém diga o óbvio: a economia não pode continuar sendo refém de narrativas políticas que alimentam extremos e paralisam decisões. O Brasil precisa voltar a olhar para frente. E isso exige maturidade, de todos os lados.
A política precisa corrigir essa grave crise.
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
Brasília, 15 de julho de 2025
















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